São Miguel, a segunda mais antiga e a maior ilha do Arquipélago, é um reflexo da existência harmoniosa entre a civilização e a atividade vulcânica, tão presente e tão evidente para quem a visita.
A ilha de São Miguel conta com cerca 500 vulcões monogenéticos, 35 lagoas de diferentes dimensões e uma grande variedade de águas minerais e termais, assim como fumarolas de diferentes tipos, que completam a paleta vulcânica da Ilha.
É precisamente essa diversidade de geossítios e a atividade vulcânica, bem evidente na ilha de São Miguel, que nos são expostas no Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, primeiro ponto da nossa visita. Aqui, podem ser observadas as rochas, os minerais, os materiais resultantes da atividade vulcânica e um incrível espólio de fósseis, numa abrangência de temáticas que ajudam o visitante a compreender estes fenómenos e a preparar-se para esta ilha, que é como um livro de vulcanologia ao ar livre.
Prosseguimos até ao Miradouro da Lagoa do Fogo, uma caldeira de colapso no topo do Vulcão do Fogo. Esta caldeira, a mais jovem e pequena da Ilha, é, no entanto, um belíssimo exemplar deste tipo de estrutura e oferece uma das vistas mais belas de S. Miguel. Com a sua belíssima praia de pedra pomes, este local é um dos menos humanizados e modificados pelo homem, merecendo uma visita com tempo.
Antes do almoço, fazemos uma breve paragem para observar o Morro das Capelas, um antigo vulcão submarino de natureza basáltica, bastante erodido pela ação do mar. Apresenta diversas golas e grutas, além de uma volumetria que lembra a cabeça de um elefante com a tromba no mar, motivo pelo qual é popularmente conhecido como “tromba do elefante”.
Seguimos até à Lagoa das Sete Cidades, um dos ex-libris da Ilha. Nesta grande caldeira, formada há cerca de 36.000 anos, estão as lagoas Verde e Azul, assim designadas pela dupla coloração das suas águas. Esta lagoa corresponde ao maior reservatório de água doce de superfície dos Açores, sendo um habitat fundamental para uma grande diversidade de espécies de fauna e flora. Está classificada como paisagem protegida.
Terminamos o dia na Praia dos Mosteiros, uma praia de areia negra e com diversas piscinas naturais nas pontas rochosas da fajã, resultantes das lavas basálticas emitidas pelo Pico de Mafra. Apreciamos o pôr-do-sol, numa paisagem verdadeiramente diferente das anteriormente visitadas, com os ilhéus dos Mosteiros por perto, resquícios de um outrora imponente vulcão submarino.